As bases da Apometria remontam a 1965, quando o psiquista e farmacêutico-bioquímico porto-riquenho Luiz Rodrigues esteve em Porto Alegre para apresentar uma inovadora técnica terapêutica que vinha aplicando com êxito em seus doentes. Denominada por ele de Hipnometria — e previamente defendida no VI Congresso Espírita Pan-Americano, em Buenos Aires (1963) —, a metodologia visava ao tratamento da psique por meio do desdobramento espiritual induzido. Embora Rodrigues não fosse médico nem professasse a fé espírita, seu empenho investigativo abriu horizontes promissores para a pesquisa dos fenômenos da alma.
Quem verdadeiramente sistematizou e expandiu a prática foi o Dr. José Lacerda de Azevedo, médico, cientista e espírita convicto. Ao lado de sua esposa, Dona Yolanda — médium de extrema sensibilidade —, o Dr. Lacerda testou, aprimorou e deu rigor científico às premissas de Rodrigues na Casa do Jardim, vinculada ao Hospital Espírita de Porto Alegre. Constatando que o processo não dependia de indução ao sono hipnótico, o médico rebatizou a técnica como Apometria (do grego Apó, "além de / fora de", e Metron, "medida"). Na dimensão extrafísica, identificou-se a retaguarda do Hospital Amor e Caridade, complexo espiritual de onde partiam as orientações e a cobertura para os trabalhos socorristas dirigidos pelo casal.
A Apometria não se confunde com o mediunismo tradicional em si; trata-se de um método de desdobramento provocado — a separação consciente do corpo físico em relação aos corpos espirituais e níveis conscienciais (como subpersonalidades e memórias de vidas passadas) —, impulsionado pela força mental, preces, pulsos magnéticos e contagem. A técnica pode ser aplicada universalmente, independentemente da idade, resistência ou sanidade mental do enfermo, apresentando eficácia mesmo em casos de profunda limitação cognitiva.
Nos atendimentos, a equipe de médiuns é desdobrada e sintonizada às equipes médicas astrais. Em seguida, efetua-se o desdobramento do próprio paciente, permitindo que cirurgias astrais, diagnósticos de precisão e a desobsessão ocorram diretamente no plano espiritual. Enquanto descrevem os fatos em tempo real, os praticantes mantêm proteção vibratória por meio de campos de força e barreiras magnéticas. Essa atuação em sintonia com a espiritualidade superior trata simultaneamente o enfermo encarnado e os espíritos obsessores ou sofredores a ele imantados.
As vantagens do método residem na rapidez e na profundidade terapêutica: por atuarem no mesmo universo dimensional, as equipes espirituais utilizam equipamentos astrais avançados em instalações hospitalares do plano superior. Segundo o Dr. Lacerda — autor de obras norteadoras como Espírito/Matéria: Novos Horizontes para a Medicina —, a Apometria representa um marco fundamental para a futura Medicina do Espírito.
A expansão da técnica ganhou novo impulso a partir da capital paulista. A Apometria começou a ser difundida na cidade de São Paulo por trabalhos coordenados pela senhora Olga Delisere, que reunia médiuns, estudantes e pesquisadores do Espiritismo em sua residência, no bairro de Santo Amaro. Em meados de 1996, o Dr. Lacerda e sua esposa Yolanda — que mantinha laços de profunda amizade com Dona Olga — promoveram uma reunião oficial de difusão da Apometria na capital paulista. A médium responsável por coordenar esses trabalhos espirituais era Maria da Conceição Lopes, com vasta experiência em atendimentos fraternos no bairro do Socorro, zona sul da capital paulista. Com a união de forças, experiência e voluntários, as reuniões e os núcleos apométricos multiplicaram-se rapidamente por diversos grupos da Grande São Paulo. A Fraternidade Aurora voltou a se organizar em decorrência da Pandemia de Covid-19, onde muitos de seus antigos trabalhadores e voluntários, atuantes nos núcleos de trabalho da Dona Conceição e Dona Olga, se reuniram para oferecer atendimentos diante a situação emergencial que a quarentena apresentava. Dona Conceição fez sua passagem aos 97 anos, tendo se dedicado mais de 70 anos à caridade e o amor ao próximo.
A partir do final dos anos 1990 e ao longo das duas primeiras décadas dos anos 2000, essa difusão paulista consolidou-se em instituições estruturadas. Pioneiros como o Grupo Holístico Apométrico e a Sociedade Brasileira de Apometria (SBA) — esta última fundada para preservar os postulados originais do Dr. Lacerda — impulsionaram a criação de diversos grupos e casas independentes na Grande São Paulo e no interior paulista. Instituições como a Casa de Redenção Mairiporã, a Fraternidade Acadêmica Bernardo de Claraval, o SBTU - Sociedade Beneficente Templos de Umbanda / Casa de Apometria, além de diversos núcleos fraternos de orientação universalista e espírita em bairros como Moema, Tatuapé, Santana e Pinheiros, passaram a oferecer atendimentos públicos periódicos e cursos de formação apométrica.
Embora muitas casas e núcleos apométricos realizem atendimentos gratuitos pautados estritamente pela caridade e à distância, a aceitação da Apometria ainda encontra reservas nas instituições espíritas filiadas a órgãos federativos mais ortodoxos e presas ao tradicionalismo formal. Por outro lado, o movimento universalista e o umbandista demonstraram ampla receptividade, incorporando pioneiramente a técnica em seus templos e formando médiuns capacitados para a sua aplicação na assistência espiritual.